Mostrando postagens com marcador fragmentos de alma. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fragmentos de alma. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024




Uberaba, 06 de dezembro de 2024.


Prezado Poeta,

Enquanto escrevo estas palavras, sinto-me perdido entre versos esquecidos e sonhos desvanecidos. A fama, que outrora me acariciava, agora me sufoca. O silêncio das musas é ensurdecedor.

O sentimento que o tempo que tenho à frente é muito menor que antes, causa-me angústia e dor. Como se olhasse para minhas calejadas mãos, e elas, mortas, incapazes de escreverem sequer uma simples súplica aos eternos. 

Por que estás a castigar-me, ó onipresente? Apenas suplico para que minhas lágrimas possam verter através de minhas mãos novamente.

Lembro-me dos dias em que a poesia fluía como um rio sem fim. Minhas palavras eram flechas que atingiam corações. Hoje, elas parecem pedras jogadas ao vento. O que aconteceu com aquele fogo que ardia dentro de mim?

Talvez a resposta esteja nas entrelinhas de meus próprios versos. Talvez a poesia seja a única forma de me salvar da minha própria decadência. Novamente clamo a ti: poupe-me da escuridão.

Então escrevo para reencontrá-lo, reencontrar-me. Para reacender a chama que um dia iluminou meu caminho. Para provar que, mesmo sem a vastidão, a poesia pode ser minha salvação.

Atenciosamente,

Souldré

 

estações

primavera
flores desabrocham
cores dançam ao sol novo
vida renasce aqui

verão
calor suave cai
noites estreladas brilham
verão sem fim dorme

outono
folhas douradas
cair suave, silencioso
outono se despede

inverno
neve cai suavemente
frio esconde vida secreta
silêncio profundo

dúvida

quem duvida, desafia,
quem questiona, compartilha,
quem duvida, luta para não mudar,
quem questiona, sedento está em aprender.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024


A Última Estação: Reflexões sobre a Mortalidade


A vida é um trem que parte sem saber para onde vai, com passageiros que não escolheu, rumo a uma estação final que todos conhecem, mas ninguém deseja.

A morte é um tema universal que nos faz questionar o propósito da vida. Neste espaço, quero compartilhar reflexões e perguntas que me surgiram ao ponderar sobre "A Última Estação".

Reflexões e Perguntas

1. Qual é o significado da morte para você?

2. Como a perspectiva da morte influencia suas escolhas diárias?

3. O que é mais importante: a duração da vida ou sua intensidade?

4. Como lidar com o medo da morte?

5. A morte é um fim ou uma transição?


Referências Filosóficas

1. Epicuro - "Carta a Meneceu" (sobre a ausência de dor).

2. Albert Camus - "O Mito de Sísifo" (sobre o absurdo da morte).

3. Martin Heidegger 

sexta-feira, 29 de novembro de 2024


desabafo ao tempo



o conturbado e contraditório conceito temporal é fascinante. existe por si mesmo e não precisa de observadores para ser comprovado.

as rugas, a ferrugem, o crescimento e desaparecimento das plantas, o nascer e pôr do sol são testemunhas que o tique-taque  está exercendo sua função primordial: definhar o que existe e levá-los ao seu fim inevitável.

a platéia do senhor das catedrais vive a mudar, pois diferentemente dele - o nobre - deixaremos aos túneis passados a consciência do todo, inclusive a dele.

não romantizemos sua importância. ele permite o nascimento para regozijar-se na morte . sim, ao contrário do que dizem, penso que sim, deus joga dados.

nosso meio é teatro e nós, marionetes de um bando de eternos fanfarrões e suas incontroláveis gargalhadas provindas de nossos pecados, nossos erros, nossas gafes e nossas ridicularidades.

pois lhe digo tempo: talvez sua platéia seja insustentável em algum momento de seu libertino caminho. tome pois cuidado: limpe suas marionetes com cuidado - não deixe a poeira incrustar,  pois um dia não poderá mais comprar novos bonecos de pano.

e ao estar só, caro tempo, verá que sua eternidade é inútil e descobrirá que é escravo de si mesmo.

terça-feira, 26 de novembro de 2024

 mi


na beira-mar com sua palmeira,
desenhando traços na areia,
observa o sol iluminar,
uma vida cheia de pesar.

sonhos escondidos no peito,
ali realizam-se com deleito,
deleito de princesa,
com olhos de grandeza.

em Mi é meu poema,
e encontra-se jurema,
encontra-se acalanto,
encontra-se recanto.

(para minha amada mãe)

sábado, 23 de novembro de 2024

 
liberdade: a arte de escolher a escravidão mais conveniente

a liberdade é ilusória. 

escolhas? - escolhidas a dedo para serem postas à nossa disposição.

a liberdade é uma doença autoimune. nada além disso.

 procrastinação

procrastino tudo: menos o procrastinar.

irônico

nada mais irônico do que quando o sarcasmo é apenas uma brincadeira.

 o vazio é o berço do todo

assim como um quadro em branco à procura de cores, a inexistência clama pela existência, tal qual o campo, a verdecência.

 a verdade é um horizonte que recua

a verdade sendo desvendada pela própria verdade, que por sua vez, é velada pelo rio do passado.

se a verdade é verdadeira, clamo pelo meu quinhão de mentiras prazerosas.

sexta-feira, 22 de novembro de 2024

cante 


declame, clame, recite, encante,
à música, à musa, à mesa, ao chão.
dedos, lábios, pés, mãos,
cante, cante ao refrão.

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

 incertezas

a incerteza sempre existirá, mas duvide desta minha declaração.

comunicação

1) intenção (o que eu quero falar)
2) expressão (o que eu de fato falo)
3) objetivo (o que quero que seja entendido)
4) recepção (o que de fato foi entendido)

comunique-se. parece simples não?

terça-feira, 19 de novembro de 2024

sombras

dentro de cada ser humano, há uma vasta extensão de luz e escuridão, um cenário intricado onde as sombras desempenham um papel tão crucial quanto o brilho da luz. essas sombras, longe de serem meros defeitos ou falhas, são reflexos profundos de nossa psique, fragmentos que, embora frequentemente prefiramos ignorar, moldam nossa identidade e nossa experiência de vida.

as sombras são as partes ocultas de nosso ser, aquelas que muitas vezes tememos explorar ou aceitar. podem ser medos reprimidos, desejos não expressados ou traumas não resolvidos. em muitos casos, essas sombras surgem de experiências passadas, de feridas emocionais que tentamos enterrar sob camadas de indiferença ou distração. no entanto, ao fazer isso, não eliminamos sua influência; simplesmente damos a elas um espaço mais sombrio e menos visível para crescer.

reconhecer e aceitar nossas sombras não é uma tarefa fácil. em uma cultura que frequentemente glorifica a perfeição e a visibilidade, enfrentar nossas imperfeições pode ser uma experiência desconfortável e desafiadora. No entanto, é nesse ato de coragem, ao permitir-nos ver e aceitar nossas sombras, que encontramos uma verdadeira oportunidade para o crescimento pessoal.

frequentemente, é através das sombras que encontramos nossa maior força. ao integrar nossas partes mais escuras em nossa identidade consciente, aprendemos a ser mais empáticos, mais resilientes e, em última análise, mais humanos. as sombras, embora desafiadoras, oferecem uma perspectiva única sobre nossa essência, lembrando-nos de que a luz e a escuridão não são opostos, mas duas faces de uma mesma moeda.

ode ao funeral

vou partir, mas não antes de confessar: fui ridículo, absurdo, absurdo. e é isso que torna-me humano. 

nesta vida, erramos, tropeçamos e caímos.
não tenha medo de ser ridículo, pois é lá que está a liberdade.

o que é ser ridículo? é ser banhado por sangue e sustentado por ossos, é ser humano com todas suas contradições. é ser vulnerável, exposto e autêntico.

adeus, ridículo. 
adeus, vergonha. 
adeus, medo.

bem-vinda, liberdade. 
bem-vindo, você.

eli

libertei-me,
li.
escrevi,
vi.
ruptura

observamos o belo pássaro chegando ao seu ninho, o delicado movimento de uma mulher ao passar as mãos leve e livremente em seus cabelos. 

observamos a reação de um abraço carinhoso em um amigo, o sorriso de uma criança ao ganhar um elogio.

observamos o belo nascer do sol em uma manhã de outono e somos invadidos pela sua explendorosa partida no dia em que deitara-se ao horizonte preparando-se para hoje. observamos um objeto fora de seu costumeiro lugar (não aprisionem seus objetos) e damo-nos conta de sua beleza outrora não revelada.

observamos casais apaixonados de mãos dadas caminhando no parque. observamos as folhas secas nas quais eles pisam, mas sem deixarem de olhar para cima, certificando-se de seu lar.
 
observamos a beleza de nossos pés, que areias brancas e mares esverdeados tiveram a chance de visitar. observamos os fios brancos em nossos cabelos que, resistentes aos inúmeros cortes, foram insistentes em sua jornada de permanência.

observamos sem expectativas. observamos a curiosidade por ela mesma.

vigiamos apenas uma coisa: o medo. (observem)

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

encanador


o aroma do metal e da madeira são inubriantes 
quem dera-me sentir isso como antes
o gélido toque dos trilhos do trem
vem e vem e vem e vem
trem e trem e trem e trem

seu galope inconfundível trouxe-me ao incorrigível 
o amor ao movimento e a notória glória trouxe para mim uma cidade de vitória 
cá estás ou cá estou? Não sei. Mas de seus braços nunca me distancirei

aqui estive sentindo o cheiro dos trens em meu avô.
elpídio: trabalhador, bêbado e mal entendido - cá estou. 
eu ao menos meu avô, sem nenhuma vergonha, seu safado encanador, enganador sou.

domingo, 17 de novembro de 2024

fuga
farto estou da realidade
quem dera-me uma mentira bem elaborada
a qual muta-se em verdade
e precisa ser eliminada