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quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

um



que sejamos um,
o início, a origem, o comum,
pois nada antes veio,
a essência, a alma, o meio.

pobre infinito, nunca existiria,
sem o um e sua rebeldia,
rebeldia em existir,
insistência em insistir.

clame a todos os números,
nunca poderiam sequer te ouvir,
pois se um, não fostes,
ouvidos não haveriam de existir.

coisas pequenas



luz do sol, cantos de alegria,
café quente, manhã sorri,
coisas Pequenas, o dia nasce,
coração se abre, tudo encanta.

canções a valsar, poemas de amor,
sorrisos oníricos, corações unidos,
coisas pequenas, a arte expressa,
alma se liberta, em cada linha, ofertas.

vento suave, mãos que acariciam,
carinho que aquece, andares iniciam,
coisas pequenas, no amor simples,
encontramos paz, em uma vida nada fugaz.

domingo, 15 de dezembro de 2024

balanço do mar


 

quando a sereia viu,

                 marinheiro à beira-mar,

   disse a ele sorrindo, 

                        "se avexe não, toque a nadar."


marinheiro, sorriso sorriu,

                    "minha mãe, senhora celeste,

tire-me das entranhas desse pesar,

                            de seu manto me veste."


"yemanjá é rainha, filho meu,

              aprochegue-se no abraço teu,

    quem te ensinou a nadar, meu nego?

                     foi, foi sim, o balanço do mar."

sexta-feira, 13 de dezembro de 2024

todo o nada



ao todo tenho o nada,
tendo todo o nada, tudo és.
se nada, todo fadada,
se todo, nada queres.

queres o nada?
enganas a todos,
menos o todo,
que o nada não vê.

entre o todo e o nada,
fico com ambos.
lamúrias jocosas,
jocosos encontros.

por hoje





não demore-se com o passado,
ele é referência e pó.
não demore-se com o futuro,
ele é  ansiedade e só.

demore-se com o céu de brigadeiro,
demore-se com o toque, com o cheiro,
demore-se com a canção,
demore-se com a comunhão.

demore-se com o canto,
não demore-se com o pranto,
demore-se com seus amores,
não demore-se com suas dores.

mas apenas demore-se se quiser,
mas não muito, não hoje.
por hoje apenas seja.
por hoje apenas esteja.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

tempestade



ventos do leste,
o cheiro do mato,
como um retrato,
chegam ao meu agreste.

indicam fúria e tormento,
lavando o sofrimento,
instaurado no caos,
de uma vida abismal.

leve a angústia,
senhora das tempestades,
iansã guerreira,
dona da verdade.

e em meu ser, renasço mais forte e puro,
lavado pela chuva, liberto do escuro,
escuro que outrora a tormenta reinava,
nos braços dela, acalentada.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024


minúsculos


minhas letras são,
minhas palavras são,
meus versos são,
minúsculos são.

meus atos não,
meus pensamentos não,
meus desejos não,
minúsculos são.

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

só ria

só ria


ria ao riacho, ao palhaço,

ao espaço, ao abraço.

ria ao hospício, ao  precipício,
ao sacrifício, ao suplício.

ria ao mar, ao amar,
ao cantar, ao festejar.

ria ao rancor, à dor, 
ao torpor, ao mal-humor.

ria à conquista, ao  rimista,
ao sambista, ao dentista.

só ria.

cheiro de mato

na varanda,
na calçada,
na andança,
na criança.

cheiro de mato molhado,
de perfume um dia lembrado,
lembrança de beleza,
lembrança de sutileza.

cheiro de mato recém-cortado,
dançam os vagalumes a voar,
querendo voltar para casa,
um mato novo, pirilampam a buscar.

domingo, 1 de dezembro de 2024

tabuleiro 


no quadrado de sombras e luz,
onde peças dançam, estratégias cruz,
um rei solitário, coração pulsante,
aguarda o checkmate, destino implacante.

a rainha, bela e poderosa,
move-se com graça, decisiva e forte,
os cavalos saltam, leves e rápidos,
enquanto os peões marcham, firmes e unidos.

a torre vigia, sentinela silenciosa,
o bispo sorri, astuto e sábio,
o rei, emboscado, busca guerrear,
mas o destino já está lançado.

terminar o duelo precisa - assim como a vida.

sexta-feira, 29 de novembro de 2024



ao meu redor


ao meu redor sinto e vejo,
a primavera a insinuar lírios.
ao meu redor desejo e vejo,
o outono a insinuar arrepios.

ao meu redor entendo e vejo,
o verão a insinuar gracejos.
ao meu redor deito-me e vejo,
o inverno a insinuar bordejos.

ao meu redor paro e vejo,
você a insinuar olhares.
ao meu redor desesperadamente vejo,
o mundo a roubar sonhares.


domingo, 24 de novembro de 2024



jeito

toco a janela,
a cortina,
a colina,
a vela.

deleito-me na dor,
na textura, 
na amargura,
no compor.

observo o caminhar,
o pouso,
o repouso,
o velar.
folhas

ao céu de outono,
se despedem folhas douradas
pelo vento gentilmente tocadas,
voaram e amaram sem retorno.

e em seus jardins rosas apanharam,
e perfume eterno deixaram,
aos corações dos quais amaram,
e em suas almas permaneceram.

e poemas recitaram,
com rimas de sonho e fantasia,
ao nascer de cada dia,
florescendo a melodia.
escrivaninha

escrivaninha de madeira antiga,
cadeira de histórias contadas,
grafite que traça sonhos,
poeira que cobre a saudade.

papel amarelado, poema esquecido,
grafemas que dançam ao vento,
cordel de lágrimas e emoção,
devoção e lástima, um canto.
se

se lhe ouço,
anseio.
se lhe digo,
gorjeio.


se lhe toco,
sacio.
se lhe cheiro,
arrepio.

se lhe devoro,
vadio.
se lhe perco,
vazio.

sábado, 23 de novembro de 2024

diálogos do silêncio


entre linhas
entre notas
entre dedos
entre vinhas

entre suspiros 
entre corpos
entre toques
entre respiros 

entre amores
entre dias
entre noites
entre louvores

entre juazeiros
entre pessoas 
entre almas
entre pinheiros

silêncio

sexta-feira, 22 de novembro de 2024


não
não peço compreensão 
ouça-me
não peço elogios
veja-me

não peço ouro
doure-se
não peço viagens
invada-me

não peço canções 
declare-se
não peço esculturas 
mostre-se

não peço promessas
expresse-se
não peço santidade
prove-me

não, peço...

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

interesse-se
interesse-se
por uma fagulha,
por uma planta,
por uma anta.

interesse-se
por um livro,
por um feito,
por um defeito.

interesse-se
por uma conversa, 
por uma paisagem
por uma viagem. 

interesse-se pelo interesse que seja,
mas viva e, por favor, interesse-se por algo!

poetas sim, poetas não


o poeta não explica
o poeta não contabiliza
o poeta não gramatiza
o poeta não disseca

o poeta sente
o poeta mente
o poeta respira
o poeta escancara

escancara amor
escancara dor
escancara temor
escancara escândalos

escandaliza aromas
escandaliza toques
escandaliza sabores
escandaliza sons

o poeta poetiza

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

caixa de fósforos

quarenta eles são,
no gingado das calejadas mãos,
em comunhão com com o sambista,
e atentos ao repentista.

um uníssono perfeito,
cantando a despeito,
do surdo ou violão,
importando-se sim com o balançar da multidão.

ao fósforo não interessa estar sozinho,
remexe junto a todos com carinho,
estridentes, berram aos céus,
são ousados, não precisam de véus.

triângulo, surdo, pandeiro, 
reco-reco: instrumento arteiro,
mas que ao som dos quarenta,
reverência apresenta.

em rítmo de boa praça,
os fósforos cheios de graça,
contagiam os que, ao ver,
pedem ao samba para nunca morrer.