Uberaba, 06 de dezembro de 2024.
Prezado Poeta,
Enquanto escrevo estas palavras, sinto-me perdido entre versos esquecidos e sonhos desvanecidos. A fama, que outrora me acariciava, agora me sufoca. O silêncio das musas é ensurdecedor.
O sentimento que o tempo que tenho à frente é muito menor que antes, causa-me angústia e dor. Como se olhasse para minhas calejadas mãos, e elas, mortas, incapazes de escreverem sequer uma simples súplica aos eternos.
Por que estás a castigar-me, ó onipresente? Apenas suplico para que minhas lágrimas possam verter através de minhas mãos novamente.
Lembro-me dos dias em que a poesia fluía como um rio sem fim. Minhas palavras eram flechas que atingiam corações. Hoje, elas parecem pedras jogadas ao vento. O que aconteceu com aquele fogo que ardia dentro de mim?
Talvez a resposta esteja nas entrelinhas de meus próprios versos. Talvez a poesia seja a única forma de me salvar da minha própria decadência. Novamente clamo a ti: poupe-me da escuridão.
Então escrevo para reencontrá-lo, reencontrar-me. Para reacender a chama que um dia iluminou meu caminho. Para provar que, mesmo sem a vastidão, a poesia pode ser minha salvação.
Atenciosamente,
Souldré
Nenhum comentário:
Postar um comentário